Sobrevivente de acidente com jato na Bahia não sabe que mulher e filho morreram, diz decorador que perdeu nora e neto

Sobrevivente de acidente com jato na Bahia não sabe que mulher e filho morreram, diz decorador que perdeu nora e neto
Caso aconteceu no dia 14 de novembro, em Maraú, no baixo sul do estado. Eduardo Trajano Elias, de 38 anos, permanece internado em hospital de São Paulo.
Eduardo Trajano Elias, de 38 anos, sobrevivente da queda de um jato executivo em Maraú, no baixo sul da Bahia, que deixou 5 mortos, não sabe que a esposa Marcela Brandão Elias, de 37 anos, e o filho, que tinha o mesmo nome dele, de 6 anos, estão entre vítimas.
O G1 conversou nesta sexta-feira (27), um mês e meio após o acidente, com decorador e arquiteto Jorge Elias, pai de Eduardo Trajano, que contou que o filho lembra de detalhes do acidente, e segue em recuperação no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, por causa de queimaduras provocadas por uma explosão ocorrida no avião após a queda.
O G1 conversou nesta sexta-feira (27), um mês e meio após o acidente, com decorador e arquiteto Jorge Elias, pai de Eduardo Trajano, que contou que o filho lembra de detalhes do acidente, e segue em recuperação no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, por causa de queimaduras provocadas por uma explosão ocorrida no avião após a queda.
“Ele [Eduardo Elias] não sabe de nada [morte de Marcela e Eduardo Júnior]. Ele não deve saber, está muito cedo ainda, mas ele está recebendo orientação psicológica e nós damos um suporte familiar muito importante”, contou o decorador.
O pai disse que Eduardo Elias pergunta por Marcela e o filho com frequência, mas a família prefere ainda não contar o que aconteceu com os dois.
“Ele pergunta se eles estão bem e a gente diz que eles não estão ainda em condições de serem vistos”, disse Jorge Elias.
O avião caiu na pista de pouso de um resort de luxo que está desativado, no dia 14 de novembro. Além de Marcela Brandão Elias e o filho, morreram Maysa Marques Mussi, de 32 anos, (irmã de Marcela), o ex-piloto de Stock Car Tuka Rocha e o copiloto da aeronave Fernando Oliveira Silva, de 26 anos.
Os demais feridos no acidente foram transferidos para hospitais de São Paulo ainda em novembro e continuam internados.
De acordo com Jorge Elias, o filho e os outros sobreviventes contaram que não receberam instruções para abrir a porta da aeronave, em caso de acidente, e que o piloto foi o primeiro a sair do jato.
“Eles não tinham instruções de que se acontecesse alguma coisa como que poderiam fazer para abrir as portas, como um avião normal, que tem instruções. As portas foram arrombadas”, disse Jorge Elias.
O decorador informou que Eduardo Elias "lembra de todos os detalhes" sobre o acidente, mas preferiu não comentar o assunto. "Eu não vou falar sobre isso”.
Segundo Jorge Elias, "boatos" que chegaram à família das vítimas dizem que o acidente foi causado por uma falha do piloto Aires Napoleão, de 66 anos.
No entanto, a delegada Andrea Oliveira, titular de Maraú, e que investiga o caso, informou que o inquérito ainda não foi concluído e não comentou o resultado da perícia técnica, que já foi disponibilizado a ela. A delegada informou, também, que aguarda os depoimentos dos sobreviventes e o laudo da investigação feita pelo Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa II), da Aeronáutica, que não foi finalizada.
O piloto teve 15% do corpo queimado, ficou internado no Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, e foi único sobrevivente que já teve alta.
"Foi constatado que a falha foi dele [piloto do avião], inclusive eu tenho algumas informações que me passam, que as pessoas falam, que inclusive ele assumiu como uma falha dele".
“Ele achava que a pista era curta, que não suficientemente grande para aquele tipo de avião, para descer lá e provavelmente o que aconteceu é que ele desceu um pouco antes e bateu o freio de pouso em uma calçada, uma guia e caiu uma das rodas, ele desceu e o avião bateu, explodiu”, contou Jorge Elias.
O decorador também disse que os familiares das vítimas ficaram sabendo que o avião estava com a quantidade de combustível acima do necessário para a viagem e que isso pode ter agravado o acidente.
“O avião estava abastecido para ir e voltar e talvez tenha sido um outro grave problema. O avião deveria ter sido abastecido para ir e depois para voltar. Eu não entendo muito disso, mas parece que ele estava com mais combustível que aquilo que ele tinha que estar”, disse Jorge Elias.
“Se ele tivesse com menos combustível, talvez a tragédia teria sido grande, mas talvez não tão grande. Isso é uma das coisas que a Justiça está resolvendo”.
Fonte: G1

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