Executiva Nacional do Podemos decide expulsar deputado federal Marco Feliciano

Deputado declarou 'apoio irrestrito' ao presidente Jair Bolsonaro Foto: Carolina Antunes/PR

A legenda justificou a expulsão do parlamentar por 'incompatibilidade política'

A Executiva Nacional do Podemos decidiu, por unanimidade, nesta segunda-feira ratificar decisão do diretório estadual de São Paulo, do mês passado, e expulsar o deputado federal Marco Feliciano do partido. A reunião que confirmou o destino do parlamentar ocorreu na capital paulista, pela manhã.

"O parlamentar havia recorrido da decisão anterior, obtendo, por maioria, o afastamento das alegações de condutas inadequadas", informou o partido, em comunicado.

Segundo a assessoria da legenda, a punição foi justificada pela "incompatibilidade política", já que Feliciano se manifestou por "apoio irrestrito" ao presidente da República, Jair Bolsonaro. O Podemos se diz independente do governo.

Em nota oficial no dia 9 de dezembro, a direção da sigla informou que o "caso foi avocado pela Comissão Executiva Nacional, na forma do artigo 65 do estatuto partidário". Ainda de acordo com a legenda, o diretório de São Paulo não tinha competência para tomar essa decisão.

Segundo o colunista Lauro Jardim, o deputado torce pelo sucesso do projeto Aliança pelo Brasil para ingressar no futuro partido de Bolsonaro. Com a expulsão, Feliciano não perde o mandato e pode migrar de sigla.

Dirigentes do Podemos entenderam que Feliciano já se ofereceu publicamente para ser vice do atual presidente da República para uma chapa em 2022. O pastor já declarou que Bolsonaro "terá um vice evangélico".

As falas incomodaram Alvaro Dias (Podemos-PR), principal nome da legenda para a disputa ao Planalto, e também o presidente do diretório de São Paulo, Mario Covas Neto.

Além disso, não foi bem recebida no partido uma reportagem do "Estado de S. Paulo" sobre o uso de dinheiro público pelo deputado. Feliciano teve R$ 157 mil reembolsados pela Câmara por tratamento odontológico.

Desde que Bolsonaro assumiu a Presidência, Marco Feliciano se aproximou de Bolsonaro para fazer a interlocução do Planalto com a bancada evangélica na Câmara. Apesar de discursar com frequência a favor do governo, tem restrições a alguns ministros, especialmente o da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Desde o início do ano passado, o deputado já se empenhou para ser indicado ao comando de um Ministério na Esplanada. Agora, sonha em compor uma chapa com Bolsonaro. Para se aproximar do núcleo duro do governo, investiu inclusive para abrir um canal de diálogo com o principal ideólogo do governo, Olavo de Carvalho. Em abril, foi aos Estados Unidos para conversar pessoalmente conversar pessoalmente com o filósofo.

'Motivo de orgulho'
Vice-Líder do governo no Congresso, Feliciano divulgou nota afirmando que foi expulso por infidelidade partidária, por fazer campanha para Bolsonaro em 2018. "Qualquer outro motivo é fake news. Basta ler o ato de expulsão", escreveu o deputado.

"A Executiva Nacional do Podemos me procurou e externaram que não queriam minha saída. Inclusive o presidente estadual do Podemos, vereador Covas Neto, foi repreendido pela Executiva Nacional e pediu afastamento da presidência. Em resposta, disse que não havia mais clima para minha presença no partido, sendo todo dia atacado ora por Alvaro Dias, ora por Covas Neto", acrescentou Feliciano.

Segundo o deputado, Covas Neto e Dias "só pensam em seus projetos pessoais e eleitoreiros, em detrimento dos interesses do Brasil e de São Paulo". Ele disse ainda que o primeiro transformou o Podemos de São Paulo em "um puxadinho do PSDB à serviço da candidatura do sobrinho", o tucano Bruno Covas, prefeito da capital paulista.

"Já Alvaro Dias (que saiu anão da eleição presidencial com menos de 1% dos votos), age como o PT e aposta no quanto pior melhor. Ao invés de ajudar um governo que não tem escândalo de corrupção e está tirando o Brasil do atoleiro, só pensa em ser presidente da República. Por fim, reafirmo aqui que para mim é motivo de orgulho ser expulso do Podemos por defender o presidente Bolsonaro, que está mudando o Brasil para melhor", concluiu Feliciano.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.