Proteção de Dados: entenda como a nova lei pode proteger de golpes a ligações de telemarketing


A partir deste ano as empresas precisam garantir e comprovar que os dados pessoais de seus clientes estão seguros. 

O Brasil foi o país que mais recebeu ligações indesejadas em 2019 no mundo, tendo as chamadas de telemarketing e de operadoras telefônicas como os segmentos que mais importunaram os clientes, de acordo com a Truecaller. Em 2018, superamos a Índia, permanecendo no topo deste ranking no último ano. Tanto que foi necessário criar um cadastro nacional na Anatel para bloquear ligações do tipo. Apesar de ter virado piada e viralizado nas redes sociais por meio de memes, as inúmeras ligações “spam” que uma pessoa recebe por dia são apenas a ponta de um problema muito maior: a falta de segurança de dados.

Brasileiros receberam, em média, 45,6 ligações de telemarketing ou golpe por mês no ano passado, ainda de acordo com a Truecaller. Também somos um dos países que mais recebe spam por SMS, cerca de 87 mensagens todo mês. Além de ir parar na lista do telemarketing, os dados pessoais podem ser utilizados para fins ainda piores, como golpes. Visando barrar essas problemáticas, foi promulgada em 2018 a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Ela foi promulgada em 2018, mas as empresas têm dois anos para se adaptar a essa nova legislação”, explica o especialista em tecnologia da informação Roberto Andrade, da Safetec.

A LGPD irá mudar a forma de funcionamento e operação das organizações, pois estabelece regras claras sobre coleta, armazenamento, tratamento e compartilhamento de dados pessoais, impondo um padrão mais elevado de proteção e penalidades significativas para o não cumprimento da norma, que variam de 2% do faturamento bruto até R$ 50 milhões por infração. Muito ampla, a Lei não remete apenas a questões tecnológicas. A ideia é oferecer ao cidadão informações sobre como empresas públicas e privadas tratam os dados pessoais: como e por que coletam, como armazenam, por quanto tempo guardam e com quem compartilham. 

“Se a empresa recebe o dado de uma pessoa, ela precisa deixar claro para quê esses dados vão servir, além de garantir a segurança dessas informações”, afirma Andrade. “Toda empresa vai ter que se preparar e encontrar mecanismos para garantir essa segurança, além de não poder passar mais dados para outras empresas”, ressalta. Além disso, os brasileiros terão direito à revogação, à portabilidade e à retificação dos dados. “Um aspecto relevante é garantir que as pessoas que tenham acesso a esses dados dentro da empresa, sejam pessoas autorizadas e que tudo fique registrado e possa ser rastreado”, pontua Andrade. “Algumas ferramentas podem ser utilizadas. Um exemplo é a plataforma G Suite, desenvolvida pelo Google, que obedece critérios rigorosos de segurança.”

Através de mecanismos de autenticação é possível evitar que pessoas não autorizadas consigam acessar os dados, pedindo comprovantes de identidade adicionais aos usuários ao fazer o login. A aplicação de chaves de segurança oferece uma camada adicional de proteção para as contas de usuário ao exigir uma chave física. “Há ainda um histórico de tratamento dos dados. Todo dado que está dentro de uma empresa pode sofrer atualização, como exemplo, a mudança de endereço. A plataforma permite o histórico de alteração: quando foi, quem foi, o que foi alterado.”

Além disso, é possível desativar as funções de fazer download, imprimir e copiar arquivos do menu de compartilhamento avançado e definir a data de expiração do acesso a arquivos. Assim como, a plataforma G Suíte também possibilita encontrar qualquer tipo de conteúdo referente a determinada pessoa presente nos seus repositórios de dados. “É possível encontrar e-mail, compromissos, documentos, conversas via chat e mais. E apagar, caso seja indicado pela pessoa, como indica a lei”, ressalta Roberto Andrade. “A realização de auditorias periódicas também é outro quesito que pode colaborar com a comprovação de boas práticas frente à alguma investigação.”

A Lei Geral de Proteção de Dados estava prevista para passa a valer a partir de agosto de deste ano mas, devido a baixa adequação das empresas, foi adiada para dezembro. “Eu recebo entre sete e 10 ligações por dia. Atendo e não escuto nada, aí desligo e bloqueio manualmente o número. Mas sempre ligam de outro. Além de me inscrever no cadastro da Anatel, vou acompanhar a nova lei. Espero que situações como essa deixem de existir, porque é um inconveniente enorme”, revela a dona de casa Lenidice Pereira.

Perfil Roberto Andrade - Roberto Andrade, administrador de empresas pela UNICAP, com especialização em psicologia organizacional e formação pelo programa de desenvolvimento de dirigentes da Fundação Dom Cabral. Atua na área de tecnologia da informação há mais de 20 anos, assumindo funções de liderança e gestão nos mais variados contextos empresariais, com particular ênfase no desenvolvimento de equipes multidisciplinares (vendas, serviços, parcerias, customer success). Trabalhou em empresas como Banco Mundial, Rhodia, Grupo J. Macêdo Alimentos e fundou operações regionais de empresas de TI como Lanlink e SoftwareONE.

Sobre a Safetec - A pernambucana Safetec, integrante do Porto Digital, e única parceira premier Google Cloud no Norte e Nordeste, tem apenas um propósito: construir experiências incríveis utilizando soluções de colaboração. Tanto na área corporativa quanto educacional, uma de suas principais missões é gerar Retorno de Valor para empresas e instituições de ensino, utilizando soluções simples, inovadoras e eficazes que impactem positivamente o ambiente de trabalho e levem a aprendizagem para além da sala de aula. Está presente no Recife, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte. 

Créditos: Maiara Melo

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